Prevenção combinada: multiplicando escolhas é o tema escolhido para o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais, que acontece na cidade de Curitiba (PR) entre os dias 26 e 29 de setembro.

Os dois congressos são organizados pelo Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV e das Hepatites (DIAHV) da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS) do Ministério da Saúde,  e têm como propósito reunir a comunidade científica, a sociedade civil, as pessoas que vivem com o HIV e com as hepatites virais, profissionais de saúde e os gestores públicos, para discutir os avanços e os desafios da resposta brasileira, com uma abordagem cada vez mais integrada e voltada para as necessidades e características individuais de cada pessoa.

Representada por uma mandala, a Prevenção Combinada é uma nova abordagem que tem sido implementada de forma pioneira pelo Brasil desde 2013.

Ela representa algumas das estratégias oferecidas em relação as intervenções biomédicascomportamentais e estruturais, tendo como base de sustentação o marco legal e como foco as populações-chaves e prioritárias.

Assim, os temas relacionados a essas três intervenções, incluindo aí diagnóstico, rede de cuidados e tratamento, são alguns dos temas a serem debatidos durante os dois encontros.

Os congressos têm ainda por objetivo reafirmar o compromisso do Ministério da Saúde, por meio do DIAHV, no fortalecimento da saúde para todos e do contínuo debate com a sociedade civil, pesquisadores e profissionais da saúde no âmbito do SUS.

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PALAVRA DA PRESIDENTA

Este é um ano de enormes desafios para todos nós que trabalhamos na construção de um sistema de saúde mais equânime e universal. O SUS é a base de sustentação da reposta brasileira ao HIV/aids, às hepatites virais e outras a doenças de transmissão sexual. Tem como diretriz assegurar a sustentabilidade programática em toda a extensão do sistema, sobretudo no campo da assistência integral, da promoção da saúde, dos direitos humanos e da prevenção ao HIV e às hepatites virais.

Iremos realizar em setembro, na cidade de Curitiba (PR), o 11º Congresso de HIV/Aids e o 4º Congresso de Hepatites Virais, cujo tema principal é Prevenção Combinada: multiplicando escolhas. A estratégia de prevenção combinada institucionaliza uma prática que já realizamos há mais de 20 anos, quando, em 1996, assumimos a responsabilidade de assegurar o acesso universal ao tratamento a todas as pessoas que vivem com HIV/aids e dizíamos que prevenção e assistência são campos de prática em saúde pública indissociáveis. A despeito das inúmeras resistências a essa posição, estávamos no caminho certo e conseguimos vencer os obstáculos. Se não tivéssemos assumido essa postura no passado, certamente as barreiras para implantar a estratégia da prevenção combinada no presente seriam muito mais árduas.

A estratégia da prevenção combinada deve se ater duas premissas básicas: a primeira é o direito de escolha e a autonomia das pessoas, e a segunda, o direito ao acesso aos bens e serviços de saúde, que, na perspectiva do sistema de saúde, devem estar disponíveis em toda a rede de atenção, garantindo a integralidade, a equidade e o pleno direito à saúde.

Em Curitiba, teremos a oportunidade de avaliar a resposta, de dimensionar os interesses e objetos de pesquisa e de olhar mais detalhadamente os movimentos e as práticas que estão em curso, sobretudo os esforços realizados pelos estados e municípios, mas também as experiências de base comunitária, conferindo simetria ao momento atual da resposta brasileira a esses agravos e estabelecendo consensos em relação às estratégias mundialmente definidas. A resposta brasileira à aids, às IST e às hepatites virais tem o compromisso histórico de retomar sua soberania sobre as práticas e inovações no âmbito do SUS.

Assim, podemos perceber que muitas das estratégias consolidadas no enfrentamento ao HIV também se mostram efetivas para o combate às hepatites B e C. Por isso, avançamos na ampliação do potencial da resposta, mas ainda temos algumas lacunas que precisam ser superadas, entre as quais a necessidade de focalização das ações de prevenção para as hepatites. Há que se olhar para a situação das hepatites B e C nas populações-chave e na estrutura dos serviços disponíveis, de modo a coordenar o cuidado nos níveis de atenção de maior complexidade.

Neste Congresso, esperamos que as discussões e produções técnico-científicas possam iluminar o campo de prática e as intervenções sob a perspectiva da prevenção combinada. Ousar nas estratégias de prevenção para o HIV e para as hepatites virais: é isso que queremos deste Congresso.

Este é um espaço privilegiado de troca entre pesquisadores, gestores, profissionais do setor saúde, estudantes e movimentos sociais e, portanto, de construção de respostas no campo das políticas públicas de saúde, voltadas para o enfretamento do HIV/aids, das hepatites virais e das IST.

Espero encontrá-los em Curitiba para que, juntos, possamos pensar e agir em prol de uma sociedade mais justa e mais solidária. A todos, desejo que os debates e reflexões durante todo o evento sirvam como mais um momento de construção do SUS.

Adele Benzaken
Presidenta do 11º Congresso de HIV/Aids e 4º Congresso de Hepatites Virais
Diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais

Ministério da Saúde lança concurso para mudar visual de preservativos masculinos

O edital convoca universitários de design gráfico, desenho industrial, arquitetura e publicidade de todo o país a criarem nova arte para a embalagem das camisinhas distribuídas pelo SUS

As camisinhas masculinas distribuídas gratuitamente pelo Ministério da Saúde terão novo visual até o final deste ano. Nesta segunda-feira (17), a Pasta, em parceria com o Escritório  da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura no Brasil (UNESCO no Brasil) lançou um concurso público direcionado aos estudantes de design gráfico, desenho industrial, arquitetura e publicidade. O objetivo é escolher uma nova identidade visual para a embalagem dos preservativos. As inscrições deverão ser feitas pelo site http://embalagemcamisinha.aids.gov.br até 11 de setembro.

O resultado e a premiação estão previstas para acontecer durante o 11º Congresso Brasileiro de HIV/Aids e o 4º Congresso Brasileiro de Hepatites Virais, entre os dias 26 e 29 de setembro, em Curitiba, Paraná. O vencedor ganhará como prêmio um pacote de viagem de três dias com um acompanhante para um dos sítios no Brasil do Patrimônio Mundial Cultural da UNESCO.

“Com esse concurso, pretendemos criar uma identidade mais moderna e atrativa para o público, a fim de renovar a imagem da camisinha masculina distribuída no Sistema Único de Saúde. A última vez que a embalagem foi modificada foi há mais de dez anos”, afirmou Adele Benzaken, diretora do Departamento de Vigilância, Prevenção e Controle das Infecções Sexualmente Transmissíveis, do HIV/Aids e das Hepatites Virais, do Ministério da Saúde.

Incentivar o uso de preservativos, principalmente entre os jovens, tem sido foco de campanhas de prevenção, como a lançada no Carnaval deste ano. Dados do Ministério apontam que essa é a faixa etária que menos usa camisinha. Pesquisa de Conhecimentos, Atitudes e Práticas indica queda no uso regular do preservativo entre os que têm de 15 a 24 anos, tanto com parceiros eventuais – de 58,4% em 2004 para 56,6%, em 2013 – como com parceiros fixos – queda de 38,8% em 2004 para 34,2% em 2013.

BOLETIM – De acordo com o último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, atualmente a epidemia no Brasil está estabilizada, com taxa de detecção em torno de 19,1 casos a cada 100 mil habitantes e cerca de 41,1 mil casos novos ao ano. O levantamento mais recente mostra que a epidemia de aids tem se concentrado, principalmente, entre populações vulneráveis e nos mais jovens. Destaca-se o aumento das infecções em jovens de 15 a 24 anos, sendo que entre 2006 e 2015 a taxa entre aqueles com 15 e 19 anos mais que triplicou, passando de 2,4 para 6,9 casos a cada 100 mil habitantes. Entre os jovens de 20 a 24 anos, a taxa dobrou, passando de 15,9 para 33,1 casos a cada 100 mil habitantes.