Queimadas, piora na qualidade do ar e agravamento de doenças respiratórias são alguns dos perigos negligenciados consequentes das ondas de calor. Saúde pública traça plano de prevenção e rápidas respostas
Com a chegada do super El Niño, ondas de calor assolam a Europa e sobrecarregam a infraestrutura do continente. Falhas nos sistemas de transporte, eletricidade e saúde levaram a uma alta nos adoecimentos em decorrência do calor e até mesmo a óbitos. As temperaturas chegam a 35 graus, e têm chamado atenção global às graves consequências.
Contudo, episódios semelhantes no Sul global são tratados com normalidade, principalmente em países de clima tropical, como o Brasil. Este é o debate abordado no novo podcast lançado pela Rádio França Internacional: “Acostumado às altas temperaturas, Brasil menospreza riscos de ondas de calor, que têm aumentado”.
O fenômeno se dá quando há períodos de pelo menos cinco dias em que as temperaturas ultrapassam em 5°C ou mais os valores médios registrados em 30 anos. Especialistas apontam que a condição é bastante prejudicial à saúde, afirmativa que se comprova por um recente estudo da Fiocruz com a UFBA. A pesquisa estima que, entre 2000 e 2019, houve 120 mil óbitos associados ao calor extremo no Brasil.
O podcast reforça, também, a gravidade dos eventos que podem suceder o El Niño no Brasil. Uma alta nos incêndios florestais, com piora na qualidade do ar e aumento de doenças respiratórias como consequências. Para prevenir e responder a essa questão, um plano federal foi traçado pelo Ministério da Saúde, com enfoque na Atenção Básica, no fortalecimento das redes e na construção de baixo para cima. Alexandre Padilha, ministro da pasta, explica como preparar o SUS para as grandes tormentas em texto publicado no Outra Saúde.
A matéria da RFI reforça a diversidade geográfica e social dos mais de 5 mil municípios do país, fator ignorado quando se negligencia o calor extremo, como se ele se devesse apenas ao clima quente. Beatriz Oliveira, especialista em saúde pública da Fiocruz e coordenadora do estudo citado comenta: “A gente normaliza esse risco de morrer por causa do calor porque nós somos um país tropical, então parece que nós somos acostumados, mas na verdade o país é muito extenso territorialmente, com perfis climáticos totalmente distintos e com vulnerabilidades também distintas”.
FONTE: OUTRAS PALAVRAS

